Entrevista com o artista Michael Hampton

by  on  • 1:04 am

Acabou sendo meio sem querer, mas bem na semana que o  TheConceptArtBlogcompleta seus 3 anos de vida tivemos o prazer de ter uma conversa com o artista Michael Hampton, autor de “Figure Drawing – Design and Invention“, livro que já destacamos aqui no blog e que sempre recomendamos a todos que desejam aprender ou reforçar seus fundamentos em desenho de anatomia e gestual.
Essa entrevista foi intermediada por Sophie Hamel, da CGMA, a quem agradecemos bastante. Abaixo a entrevista completa, em português, e AQUI a versão original em inglês. Confira!





THECAB: Olá Michael, primeiro gostaríamos de agradecer por essa entrevista. É uma grande oportunidade conhecer as opiniões de um artista tão talentoso e inspirador. Além disso, é também uma grande honra.
Michael: Em primeiro lugar, eu agradeço pelo interesse em meu trabalho e pela oportunidade de compartilhar minhas idéias.
THECAB: Para começar, você poderia comentar brevemente sobre sua formação?
Michael:  Minha formação é um pouco dispersa. Tenho um diploma em Iustração (BFA -Bachelor of Fine Arts) peloArt Center College of Design, um MFA em pintura (Master of Fine Arts) e também uma outra graduação em Historia da Arte (MA-Master of Arts). Eu gosto de brincar que eu tenho uma sério desvio de atenção relacionado a temas. No entanto, eu adoro o processo de educação e também gosto muito do estudo da arte, seja ela prática ou acadêmica, e particularmente como cada diferente disciplina dentro do estudo de arte acaba influenciando e formando a outra.
THECAB: Se pudesse nomear um artista, ou alguns, quais seriam os que mais o inspiraram quando você era um estudante?
Michael: Pensar em apenas um seria difícil. No entanto, pensando de forma mais geral, eu sempre fui mais influenciado por pintores. Para mim, desenho é mais interessante como uma linguagem que mostra as decisões feitas na pintura, e eu fui atraído para isso no trabalho desses artistas. Meus favoritos foram inicialmente Eduard Manet e Paul Cezanne, assim como os mais contemporaneos, como Lucian FreudChuck CloseJerome WitkinJohn Currin e Jenny Saville.  Além disso, (mesmo sendo um cliché) eu busquei inspiração nos sketches de Michelangelo, DaVinci e Durer. Fui especialmente influenciado pelo uso que esses artistas faziam da geometria fundamental e a forma como a arquitetura, figura humana, etc. eram geradas também pelo mesmo princípio.
THECAB: Quando você percebeu que queria se aprofundar no estudo de anatomia?
Michael: Depois de me graduar em ilustração eu imediatamente comecei a lecionar. Isso me forçou a aprender mais sobre figura e estrutura da anatomia. Inicialmente me apaixonei por ensinar e estar na sala de aula, então foi provavelmente neste momento que eu decidi me aprofundar. Desde então, tem sido um processo gradual e eu continuo tendo aulas para me especializar (mesmo hoje!). Eu aprendo com os estudantes também. Respondendo a questões como essas eu aprendo a pensar nas coisas de um modo diferente ou considerar questões que eu não havia pensado antes.
THECAB: Você poderia nos falar um pouco sobre seu livro? Quanto tempo levou para ser criado, do começo à versão final? Qual parte você diria que foi a mais difícil?
Michael: Figure Drawing-Design and Invention é um manual que eu criei para ajudar meus estudantes a acompanhar as aulas semanais. Ele tenta descrever um fluxo de trabalho que vai do gesto, passando pela construção e anatomia, e enfatizando-o como um todo.  Levou de 4 a 5 anos para organizar tudo, muito embora eu ainda o considere longe de finalizado. A cada reimpressão eu faço mudanças, atualizo desenhos, ajusto capítulos e etc., baseado em opiniões que eu recebo ou em minhas próprias impressões sobre como eu poderia melhorar e tornar as informações mais acessíveis aos estudantes.  Muitas vezes essa pode ser também a parte mais difícil. Eu sempre vejo falhas e espaço para melhorias. Neste sentido, a dificuldade é a visão que eu tenho a respeito do livro como um projeto contínuo e nunca totalmente completo.
THECAB: Por que é tão importante para alguém que deseja perseguir uma carreira na área de design de entretenimento desenvover sólidos fundamentos? 
Michael: Eu acho que sólidos fundamentos são essenciais para aqueles que desejam uma carreira em artes. Ponto. É equivalente a aprender as estruturas de um novo alfabeto ou idioma. Depois de dominar os fundamentos da comunicação, nada mais precisa ser dito. O Entertainment Design, mais especificamente, tem um padrão estético extremamente alto, favorecendo realismo e/ou efeitos realistas. Em minha experiência, a única forma de conquistar um conjunto de habilidades competitivas, considerando esses altíssimos padrões, é adquirir domínio prático e compreensão dos fundamentos (perspectiva, forma, cores e etc.).
THECAB: Quantas horas de treino por semana você recomendaria para alguém que deseja dominar as habilidades de desenho, figura e anatomia?
Michael: Honestamente, a maior quantidade possível. Claro, não se deve ter uma vida monástica dedicada ao desenho, mas obviamente, quanto mais tempo você dedica para os estudos irá resultar em um maior domínio e compreensão.
THECAB: Considerando que aprender fundamentos requer tempo e dedicação, que tipo de conselho você daria para estudantes mais ávidos a aprender temas como figure drawing, anatomia ou qualquer outro assunto relacionado?
Michael: Desenvolver  domínio dos fundamentos artísticos e/ou figure drawing deveria ser uma tarefa para a vida toda. Com isso em mente, é importante curtir o processo de estudar e aprender, assim como o de tentativas e erros. Eu acho que muitos artistas (inclusive eu mesmo) podem ser extremamente críticos do seu trabalho e progresso. Apesar de ser essencial sermos críticos e capazes de avaliar pontos fracos, também é importante não ser tão crítico ao nível de impedir o progresso ou evitar alguém de continuar.  Durante o estudo é importante reconhecer os avanços que foram feitos. Reconhecer o que funciona é tão importante como ter uma visão real das habilidades que ainda precisam ser melhoradas.
Além disso, eu sempre recomendo para meus estudantes desenharem com uma intenção específica. Desenhar apenas por senhar é divertido, mas algumas vezes mais evoluções podem ser feitas com um objetivo ou tema mais focado. Por exemplo, hoje eu irei focar meus estudos em ombros.  Eu geralmente percebo que quando os estudantes desenham com um objetivo específico, eles verão mais desenvolvimento do que apenas desenhar sem nenhum propósito.
THECAB: Que tipo de atividades extracurriculares você recomendaria para estudantes melhorarem o processo de aprendizado? Desenho com modelo vivo, por exemplo?
Michael: Eu definitivamente recomendaria o maior número de aulas de modelo vivo possivel. No entanto, qualquer interesse fora disso pode ser influência ou inspiração. Acho que ver muita arte é também muitísimo importante. Frequentar museus, galerias locais, etc. é uma ótima maneira de ficar envolvido em arte e continuar a melhorar o seu grau de exposição. Além disso, procurar fora do campo de animação ou games, ou mesmo pesquisar quais artistas influenciaram seus artistas favorios nessas áreas.
THECAB:  Como um estudante criaria um sólido portfolio, de forma a demonstrar suas habilidades em desenho e anatomia?
Michael: Algo assim teria de ser construído com tempo. Para mim, um portfolio consistente é baseado em fundamentos.  Desenho ao ar livre, animais, criaturas, ambientes, pinturas e etc., irão também se basear nessas mesmas habilidades.  Nesse sentido, não há realmente como pular ou falsificar um sólido domínio dos fundamentos. Sendo prático, é sempre bom criar um portfolio de um ponto de partida e então atualizá-lo dentro de poucos meses com estudos melhorados. Desta forma, o portfolio será um documento gradualmente construído, menos intimidante, e que também permitirá o reconhecimento do crescimento/progresso conforme um trabalho anterior é substituído por feito recentemente.
THECAB: Você está atualmente lecionando em dois cursos de Figure Drawing na CG Master Academy, certo? Conte um pouco sobre eles. O que os estudantes podem esperar dessas aulas?
Michael: Sim, eu estou lecionando em duas turmas que são complementares.  A primeira, Analytical Figure Drawing 1, aborda a criação da figura humana.  Ela começa com o gesto,  avança para o esqueleto e construção da forma geométrica, o desenho da cabeça e termina com uma abordagem simplificada das camadas da anatomia.
A classe inicial pretende dar aos alunos uma metodologia para trabalhar com a figura, baseada em um processo de análise.  Deste curso os estudantes podem esperar obter um método através do qual, com estudo, poderão inventar poses e ter uma relação crítica com as mecânicas e formas que constituem a figura humana.
O curso seguinte, Analytical Figure 2, trabalha temas construídos a partir do método discutido no curso anterior. Dobras de tecido, uma discussão mais aprofundada de expressões, mãos, pés, iluminação e composição, todos esses temas serão abordados.
Eu enxergo o primeiro curso como a configuração de uma base de trabalho onde a figura é tratada como tema de estudo. O segundo trabalha áreas mais complexas, e em última análise, coloca a figura como o tema de um retrato ou uma imagem.
THECAB: Como você compararia a experiência de ensino online e presencial? Que tipo de benefícios você diria que seus alunos têm ao buscar um treinamento online?
Michael: Há uma diferença significativa entre treinamento online e presencial. Na maioria dos casos, eu ainda preferiria o presencial, que te dá mais acesso aos alunos, compreendendo os estilos de aprendizagem e etc.. No entanto, há benefícios substanciais na busca da formação online. Primeiro, o acesso a professores e informações que de outra forma seria impossível. Como estudante, eu poderia ter viajado para três ou quatro escolas diferentes e ainda poderia não ter acesso a toda a informação que eu desejasse. Hoje isso não é mais um problema.
Eu gosto do modelo de cursos da CGMA. Acho que ela faz o grande trabalho de reproduzir a melhor parte do ensino presencial. As sessões semanais de video feedback (resposta do professor por video) e Q and A (perguntas e respostas) dão à experiência online uma sensação de muito mais imersão, mesmo da perspectiva do professor.
THECAB:  No Brasil ainda não há cursos universitários que ofereçam graduação completa em Design de Entretenimento ou animação ao nível de uma Art Center College ou CallArts. Considerando este cenário, que métodos você recomendaria aos estudantes para garantir o aprendizado das disciplinas necessárias para o desenvolvimento de sólidos fundamentos?
Michael: Eu acho que é totalmente possível desenvolver um forte conjunto de habilidades sem um programa ou instituição mais formal.  Há muita informação de fácil acesso disponível, mas isso requer muito mais auto-disciplina e foco para manter-se motivado e trabalhando.  Sem uma escola para formalmente organizar as informações, meu conselho seria: pesquise a carreira de sua escolha e estabeleça um plano para você seguir. Certifique-se de que todo o seu tempo está focado em uma habilidade específica e que você  esteja sendo crítico de seu próprio progresso, mas de um modo produtivo.
THECAB:  No seu livro você ensina tanto anatomia como desenho gestual. No entanto, a primeira parece exigir linhas cuidadosamente desenhadas e a outra linhas bem mais soltas e expressivas. Como equilibrar o desenvolvimento das duas habilidades, já que ambas são tão importantes?
Michael: As duas se equilibram, mas devem ser pensadas como duas coisas existindo dentro do mesmo desenho. Pense na relação entre gestual e analítico como camadas, uma informando a outra, e não de forma exclusiva. Por exemplo, embora elas possam ser estudadas separadamente, não devem existir como idéias completas ou estudos independentes um do outro. O desenho gestual pode permanecer solto e expressivo porque a informação que ele transmite (estória, movimento e etc.) não é nada mais que um projeto através do qual a figura irá se desenvolver.
Enquanto que isso dificilmente seria o suficiente para um desenho mais acabado, a contrução sobre ele deveria desenvolver a idéia inicial através da introdução de formas mais lógicas, geometrias e etc. Neste processo de estudo, apesar de os gestos e a contrução poderem ser exercidos de forma independentemente, eu acho que é sempre importante ver as duas práticas como construtoras de uma só figura (ou parte de um mesmo processo).
THECAB: Ok, Michael, acho que é isso. Muito obrigado por seu tempo. Realmente foi uma honra. Esperamos ver seus alunos tornarem-se grandes artistas com os conhecimentos que adquirirem com suas orientações. Um grande abraço!
Michael: Obrigado novamente, Flavio, pelo interesse e pelas perguntas. Espero que eu tenha conseguido dar respostas úteis, É uma honra poder participar do seu blog.

Para complementar e conhecer um pouco mais o artista:

Retirado do site The Concept Art Blog

Apostila desenho em grafite de Rogério Lupo - Biólogo Ilustrador

Foi disponibilizado pelo ilustrador ROGÉRIO LUPO uma apostila de seu curso de desenho em grafite.

Quem quiser pode fazer download AQUI!

Espero que gostem.



Olá pessoal Como de costume, antes de cursos acabo preparando apostilas guia, e agora antes de Brasília está pronta a de grafite, com dicas para iniciantes e insights e propostas para os experientes. Livre para compartilhamento, divirtam-se e divulguem. 

ATENÇÃO: a visualização rápida em tela cheia no site Slideshare é apenas uma amostra, para ver em excelente qualidade de imagens e de texto é preciso baixar. Muitos me perguntam se é possível imprimir: por motivos de edição e gravação em pdf fiz o arquivo em uma única página gigante de 30cmX 4 METROS. 

Por isso precisaria recortar em páginas normais pra imprimir, isso dá um trabalhinho. Mas é possível com paciência. Mesmo assim sugiro mesmo usar na tela do computador, as imagens ficam melhores que impressas. 

http://pt.slideshare.net/bioartes/apostila-grafite 
Um abraço a todos e boa diversão 

Rogério Lupo - Biólogo Ilustrador 

Psicologia das cores

A cor é assimilada pelo ser humano através do sentido da visão. A visão é dos cinco sentidos o que mais rapidamente conduz a informação até ao cérebro. Dessa forma os olhos são os sensores e o cérebro é o processador.

Quando escolhemos uma cor para elaborarmos nossos trabalhos devemos ter em mente que estamos lidando com um elemento de estímulo imediato, e que essa cor escolhida provocará diversas reações em seus observadores, positivas ou negativas.

A subjetividade do artista, com sua sensibilidade e memória cromática condiciona totalmente a harmonia obtida entre as cores de seu trabalho. Da mesma forma como condicionam a interpretação do espectador da obra observada. As cores influenciam o estado psicológico dos seres humanos de várias maneiras, e são mais ligadas à emoção. As pessoas se lembrarão mais facilmente das cores do que de formas.

No ocidente, as cores surtem diferentes efeitos psicológicos sobre as pessoas, como sugere a lista:
  • Branco - purificador, perfeição, pureza, neutralidade, humildade, limpeza, claridade, frieza e esterilidade, pureza, inocência, reverência, paz, simplicidade, esterilidade, rendição, união;
  • Preto - luto, elegância, solidez, poder, modernidade, sofisticação, formalidade, morte, medo, anonimato, raiva, mistério, azar;
  • Cinza - elegância, humildade, respeito, reverência, sutileza;
  • Amarelo - concentração, disciplina, comunicação, ativa o intelecto, positividade, boa sorte;
  • Vermelho - paixão, entusiasmo, impacto, agressividade, força, energia, amor, liderança, masculinidade, perigo, fogo, raiva, revolução, "pare";
  • Rosa - Amor, carinho, suavidade, acolhimento, romantismo;
  • Azul - harmonia, confidência, conservadorismo, austeridade, monotonia, dependência, tecnologia, liberdade, saúde, purificação, amabilidade, paciência, serenidade;
  • Ciano - tranquilidade, paz, sossego, limpeza, frescor;
  • Verde - esperança, cura, natureza, paz, natureza, primavera, fertilidade, juventude, desenvolvimento, riqueza, dinheiro, boa sorte, ciúmes, ganância, esperança;
  • Lilás - influencia emoções e humores, intuição e espiritualidade;
  • Roxo - velocidade, concentração, otimismo, alegria, felicidade, idealismo, riqueza (ouro), fraqueza, dinheiro; 
  • Magenta - luxúria, sofisticação, sensualidade, feminilidade, desejo;
  • Violeta - espiritualidade, criatividade, realeza, sabedoria, resplandecência, dor;
  • Laranja - equilíbrio, generosidade, entusiasmo, alegria, aconchegante, energia, criatividade, equilíbrio, entusiasmo, ludismo;
  • Castanho - sólido, seguro, calmo, natureza, rústico, estabilidade, estagnação, peso, aspereza.

Teoria das cores

A Teoria das Cores afirma que a cor é um fenômeno físico relacionado a existência da luz, ou seja, se a luz não existisse, não existiriam cores. O preto é percebido quando algo absorve praticamente toda a luz que o atinge. Já o branco é percebido em algo que reflete praticamente todas as faixas de luz. Pode-se dizer que o branco e o preto não são cores propriamente, e sim a presença ou ausência da luz.

Isaac Newton foi o primeiro a associar que a luz do Sol tinha forte relação com a existência das cores, quando dissociou a luz solar nas cores do arco-íris através de um prisma.Surgia ali o primeiro esboço do que posteriormente viria a ser chamada de Teoria das Cores.

Vários estudiosos do passado se dedicaram a entender o fenômeno das cores. Os primeiros sistemas de cores foram os de Newton e de Goethe. Estes sistemas se concentravam mais em saber como se formavam as cores. O Sistema de Chevreul, mais recente, também utiliza de um eixo vertical que indica o brilho e a saturação da cor. O sistema esférico de Otto Runge pretende descrever e encontrar harmonias cromáticas. Aqui, as cores puras e suas misturas situam-se no equador da esfera, e enquanto se aproximam do centro, pendem para a cor cinzento médio. Assim, as cores tornam-se escuras em direcção ao pólo inferior até atingir o preto, e tornam-se claras , até ao pólo superior, atingindo o branco.

Estes são sistemas de cores que visam organizar e racionalizar o estudo das cores no intuito de se constituir uma teoria das cores, no entanto a harmonia entre as cores não é assim tão objetiva. Hoje sabe-se bem que a cor é um fenômeno subjetivo, pois ela é constituída de ondas eletromagnéticas de uma faixa de frequência tal que as colocam dentro do que denomina-se espectro visível, ou seja, a faixa de frequência daquelas ondas que são captadas pela sensibilidade dos olhos humanos. Animais veem tudo de forma diferente.

SOBRE A ARTE DE ILUSTRAR A CIÊNCIA

Fonte: https://fapemig.wordpress.com/2015/03/04/ilustracao-cientifica-a-arte-de-ser-cientificamente-perfeito/

Ilustração científica é um trabalho tão maravilhoso que pode até virar arte na parede de casa. As técnicas usadas são das mais variadas, passando pelo grafite, nanquim e pontilhado, aquarela seca (dry brush) e aquarela aguada, lápis de cor, além, é claro, dos tratamentos digitais.
Mas se engana quem pensa que ilustração científica é pura arte. Há muito trabalho de pesquisa e estudos formais para se chegar a um resultado absolutamente correto, do ponto de vista científico. Ao contrário dos artistas, que expressam seus sentimentos, angústias e pensamentos por meio de seus desenhos e pinturas, quem trabalha com ilustração científica precisa estar atento a rígidas regras reconhecidas internacionalmente.
Para saber mais sobre este ramo de atuação, conversamos com Rosa Alves Pereira, ilustradora científica com mestrado na área, que trabalha na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG):
“Questões como estilo e subjetividade dos autores são minimizadas quando se faz uma ilustração científica. Quase todas buscam um hiperrealismo necessário para a descrição e identificação das espécies e a apresentação das características morfológicas essenciais para o estudo. Embora pareçam criações artísticas, essas ilustrações obedecem a regras aceitas internacionalmente e exigidas pelas publicações científicas”.
Rosa Alves explica que para desenhar algumas espécies, torna-se necessário participar de trabalhos de campo, para observar bem de perto as singularidades e, a partir daí, fazer estudos preliminares apurados de cada detalhe morfológico.
Há diversos detalhes que devem ser contemplados nas ilustrações científicas. Nas plantas, por exemplo, é preciso mostrar um ramo florido. Em relação aos animais, os desenhos devem ser feitos em vista lateral para os peixes, com a boca voltada para o lado esquerdo – essa “pose” também vale para as aves e mamíferos! Já alguns insetos e crustáceos devem ser desenhados em vista superior, mostrando sua face dorsal.
Confira abaixo algumas imagens disponibilizadas pela equipe de ilustradores do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG:

Quem pode ser ilustrador científico?

Nem só de biólogos vive o mundo da ilustração científica! Nos últimos 10 anos, a UFMG ofertou diversos cursos, com temas e técnicas diversas, a maioria deles ligados à extensão. Nesses cursos, artistas de todas as áreas exploraram seu talento para a ciência, além dos biólogos, é claro, mas também donas de casa, engenheiros, geógrafos, farmacêuticos, fotógrafos, jornalistas, médicos, paleontólogos
Eu vejo essa heterogeneidade da turma como um fator muito positivo pois, ao reunir pessoas de várias áreas do conhecimento, a experiência se enriquece com olhares multiplicados sobre o mesmo tema. Em relação ás técnicas utilizadas, todos podem aprender, desde que se dediquem a isso na prática! – Rosa Alves.

Arte da ilustração científica exige paciência, memória e técnica

A riqueza de detalhes, a mistura de cor e a sombra dão realismo. A ilustração científica combina arte e pesquisa para contribuir para o conhecimento.
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Você está preparado para conhecer um pouco mais da arte e da cultura do nosso estado? O Terra de Minas vai mostrar três histórias neste sábado (2). Vamos conhecer a nova casa da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais e você vai ver como os músicos se preparam para as grandes apresentações.

Tem ainda o lugarejo conhecido pela produção de panelas de pedra-sabão. É a renda de muitos moradores. Eles transformam a pedra em diferentes objetos para vender.

Mas agora vamos saber mais sobre um trabalho que exige muita paciência, memória e principalmente, técnica. É a arte da ilustração científica.

A riqueza de detalhes, a mistura de cor e a sombra dão realismo impressionante aos desenhos. A ilustração científica combina arte e pesquisa para contribuir para o conhecimento.

O ilustrador científico passa grande parte do dia ao ar livre. Prancheta e lápis nas mãos e olhar apurado pra andar no meio da mata. Em geral, eles saem com um colega por segurança e para trocar experiências durante a exploração. Um grupo está na estação ecológica da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Um lugar de transição de ecossistemas, que dá mais chance de encontrar espécies diferentes.

Fonte: http://redeglobo.globo.com/globominas/terrademinas/noticia/2015/05/arte-da-ilustracao-cientifica-exige-paciencia-memoria-e-tecnica.html